lusco-fusco
sonho confuso, no qual eu viajava com a mamãe, rosa e lucia, íamos em busca de uma praia no leste cujo nome era confuso, não lembro, algo como jericoacoara ou aracatizinho, aquirazinho, algo assim.
mamãe começava dirigindo, eu ia sentada de costas para a estrada, quando em algum momento ela e a rosa trocavam de lugar e eu me dava conta mas não completamente, e me assustava quando via a rosa dirigindo. a rosa dirigia devagar e muitos carros a ultrapassavam, mas todos nós concordávamos com ela que tanta pressa não era necessária, muito embora eu maquinasse comigo mesma que se continuasse assim eu iria me atrasar para a prova do joão carlos. eu ia apenas coletar uns dados sobre envelhecimento daquelas pessoas, e sinto que era algo relacionado à qualidade de vida delas. depois de algum trabalho chegávamos em um restaurante, comíamos e depois pedíamos uma sobremesa, eu pedia um strudel e oferecia para dividir com a lucia, e tinha arroz no negócio e era meio estranho.
depois eu estava indo também por uma praia, estava no fim da tarde, éramos eu, joão paulo, raquel e ariltom, e ainda uma criança pequena que sabe Deus de quem era, agora me ocorreu que podia ser filho dela. procurávamos um local para comemorar o aniversário da raquel, e o dia estava acabando, já era lusco fusco – o eterno lusco fusco – quando resolvi parar em um local que fazia uma pequena enseada, havia muitas pessoas lá curtindo o por do sol, havia música, bebidas, uma fogueira – eu acho, não lembro ao certo, pode ter sido invencionice minha – e eu dizia: será aqui mesmo. o local era realmente lindo, e tão logo descíamos do carro o ariltom corria para o mar com a criança, iam se divertir. a raquel parecia tentar interagir com uns rapazes que estavam lá, eu senti ciúmes. fiquei meio acabrunhada, o joão paulo virou para mim e disse “amiga, deixa de ser boba, não tá vendo que ela tá se divertindo?”… ficou aquela sensação de que ele me dizia “segue tua vida adiante”.
e eu ia embora. saía andando de lá, cabisbaixa, irritada, confusa, me ardendo em ciumes daquela situação toda. quando eu olhava para o lado, do outro lado da estrada, quem estava caminhando era a raquel. triste, sozinha, isolada… me ocorria que ela não tinha encontrado a felicidade naquele local. mas eu achava por bem fazer de conta que não a tinha visto, afinal ela estava imersa no próprio sofrimento e parecia não haver espaço para mim. pela primeira vez eu tomei uma decisão no sentido de não dar o braço a torcer… havia um misto de sofrimento, de querer sair daquele lugar a qualquer custo, de focar a cabeça em outra coisa. eu andava até chegar em uns restaurantes, todos fechados ainda… acordei aí.




